BEM VINDOS AO BLOG OFICIAL DOS MISSIONÁRIOS DE NOSSA SENHORA DE LA SALETTE, EM ANGOLA

Actualizado, aos 17 de Junho de 2010































































































































































































































































DIRECTOR: Pe.António dos Santos TCHINDAU, MS
































































































































































































































































REGIÃO MARIA RAÍNHA DA PAZ - ANGOLA

REGIÃO MARIA RAÍNHA DA PAZ - ANGOLA
MEMBROS DA REGIÃO DE ANGOLA EM CAPÍTULO 2009

segunda-feira, 3 de março de 2008

LA SALETTE, UM LUGAR DE LUZ

A luz envolve todo o cenário da Aparição de La Salette. «No fundo de um valezinho subitamente vêem um globo de fogo. Dentro da deslumbrante luz distinguem uma senhora… É alta e toda de luz […]. Do crucifixo emana toda a luz de que se compõe a aparição, luz que brilha em diadema sobre a fronte da bela senhora» (Dos Anais de La Salette, citação do prologo da RV dos MS, versão portuguesa, pp. 7-8). Quem conhece La Salette, pode facilmente discordar comigo e achar simplesmente poético e devocional o título deste pequeno artigo: «La Salette, um lugar de Luz». De facto, olhando para a realidade actual do lugar da Aparição, aquela luz que o envolveu parece ter deixado de brilhar naquele mesmo dia 19 de Setembro de 1846: estátuas de bronze sem qualquer brilho, cobertas de neve durante o Inverno... Tudo isto parece contrastar com o ambiente de luz em que decorreu a aparição; e, actualmente, parece contrastar também com outros pormenores ao redor: aquela luz emitida durante a noite pela cruz saletina sobre o monte Planeau que permite visualizar o Santuário de La Salette a uma longa distância, aquela espectacular iluminação da ‘‘chapelle de la rencontre’’… só para citar alguns de muitos exemplos que mais do que ao peregrino, só iriam impressionar ao ‘‘turista’’. É claro que muitos que foram a La Salette como turistas acabaram por se converter em peregrinos, não no contacto com o exterior mas no contacto com o interior, no contacto com o significado de La Salette na sua totalidade. E essa ‘‘luz’’ tem qualquer significado para a compreensão total do significado do evento de La Salette para nós e para o itinerário espiritual dos cristãos e não só? O que gostaríamos de destacar nesta reflexão não é, pois, a luz externa que os nossos dois olhos podem captar e sujeita às leis da física, mas a presença actual e actuante da mesma luz que há mais de 160 anos brilhou na santa montanha não só como real mas sobretudo como simbólica, imagem daquela Luz para a qual aponta todo o conteúdo da Mensagem de Maria em La Salette: Cristo! Afinal, o encontro com o Mistério Redentor de Cristo que La Salette proporciona – e ao qual sempre chama os fiéis – faz dela um lugar sempre de Luz, de Páscoa permanente, um Tabor de transfiguração, de conversão e de aprofundamento de fé para muitas personalidades. Muitos que vão a La Salette com o simples intuito de falar com Nossa Senhora de repente se vêem envolvidos em conversa com Jesus a dizer-lhes «Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo.8, 12; Cf. 9, 5) e envoltos da glória da Sua luz Pascal. A Mãe é sempre caminho para o Filho! Aquela luz da Aparição, na verdade, não aponta senão para a realidade do Ressuscitado! O que é mesmo difícil é abrir os olhos, ou melhor, aceitar abrir os olhos interiores para ver a luz da vida. Para tal urge empreender a longa, humilhante e dura viagem da aceitação de mim mesmo, da minha miséria, das trevas em que me encontro para sentir o gosto de ver a luz. Não será este um dos sentidos da penitência quaresmal? Não será que a Luz do Ressuscitado brilhará plenamente para quem estiver disposto a gritar insistentemente como Bartimeu? ( Cf. Mc. 10, 46-48).
Por: Pe.Celestino Muhatili, MS
A partir de Roma

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Seminário dos Açores Recebe um novo meio rolante

O dia 28 de Fevereiro fica na história. Neste dia houve uma cerimónia de entrega do novo carro, de marca Hilux (Novo Modelo). A cerimónia teve lugar no Seminário Propedeutico Saletino, vulgo Açores, presidida pelo Padre Venâncio Nunda, Superior Regional dos MS em Angola. No momento de entrega Padre Nunda apelou à responsabilidade séria no uso do novo meio rolante. Padre Nunda afirmou mesmo que o carro é Seminário e não é um carro pessoal. Com efeito, deve atender às necessidades de todos os membros da Comunidade e do Seminário. O Superior chamou atenção para que o carro não fosse motivo de intrigas, de disputas. Que os membros da Comunidade soubessem usar o carro mediante os horários. "Cada um tem as suas necessidades, o outro também as tem. Neste sentido cada devia ver quando é que o outro sai e quando é que volta para também dar tempo ao outro", rematou. Por sua vez, o Padre João Tchikete, Superior da Comunidade e Reitor do Seminário manifestou a sua satisfição, agradecendo em primeiro lugar a Deus e depois ao Conselho Regional que com muitas dificuldades conseguiu este meio rolante tão importante para o Seminário. Padre Tchikete afirma mesmo que os momentos dificéis passaram. Agora, é o outro tempo. Nas suas palavras nao se esqueceu de abordar os momentos dificéis que eles e seus seminaristas passaram. Mas, tudo isto entregou nas mãos de Deus.
Caro leitor, leia na intrega as palavras do Padre João Tchikete aquando da recepção da nova viatura:
O nosso 1º sentimento é de acção de graças a Deus, que permitiu que chegássemos até este momento, e que também permitiu que realizássemos nossos trabalhos como de facto os realizamos. Ao receber esta viatura eu agradeço imenso ao esforço do Conselho. Nós sabemos que estamos um bocadinho numa fase seca, digamos de poucos meios, mas apesar de tudo, o conselho sabendo, conhecendo, definindo o que é o Seminário sempre teve em conta que realmente uma casa de formação precisa de um meio como este. Não se podia fazer na altura porque faltaram meios, creio que com muita criatividade e com a ajuda dos benfeitores realiza-se hoje o nosso sonho e sempre, também digo que fomos gente de esperança. Apesar de muitas dificuldades por onde passamos, já chegamos a levar formandos por cima das motorizadas para o hospital, enviarmos seminaristas ao mercado através de Táxis, fazermos compras através de Táxis e penso que este capitulo fica para atrás. Obviamente que o sentimento também é de gratidão é de alegria; as nossas caminhadas debaixo do sol e com poeira à mistura também ficam para trás. Da nossa parte fica uma responsabilidade e cooperação com aqueles que tudo fizeram para que nós tivéssemos este meio. Esta cooperação passa pelo cuidado que devemos ter com este meio para que não sirva só a nós, que neste momento estamos na casa de formação, mas também sirva os outros que amanhã também poderão vir para esta casa de formação.
Pe.António dos Santos Tchindau, MS
repórter em Acção

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

As Irmãs Saletinas de Angola têm Novo Conselho

As Irmãs de nossa de Nossa Senhora de La Salette, reunidas em capitulo Regional, na Catumbela – Benguela, de 17-22 de Novembro de 2007, presidido pela Superiora Geral, Irmã Marie Victoire, com a presença da Irmã Maria da Glória Nangueve, conselheira Geral da referida Congregação elegeram, de acordo o Espírito Santo, a nova Superiora Regional, a Irmã Renata Kotepa. Para além dela foram também eleitas a Irmã Regina Flora Inácio para o cargo de Vigária Regional, a Irmã Laurinda Ngandala como 1ª Conselheira, a Irmã Emma para o caro de 2ª Conselheira e a Irmã Inácia de Carvalho para o cargo de 3ª Conselheira. Este novo Conselho substitui o conselho que era liderado pela Irmã Rita Wandi. A este novo conselho vão os nossos votos de bom trabalho e êxitos nos novos desafios. Esta é a segunda vez que as Irmãs saletinas em Angola se reúnem em capítulo regional, depois do 1º capítulo realizado em 2004, em que elegeram a irmã Rita Wandi que se seguiu à fusão realizada aos 19 de Setembro de 2004 entre as irmãs mensageiras e as irmãs de Nossa Senhora de La Salette. As irmãs participaram vivamente deste capítulo, abordando assuntos de vária índole ligados mormente à vida comunitária, pastoral e espiritual e não só. Foi um momento de louvor e acção de graças que se representam nas maravilhas que Deus opera no seio de todas as pessoas e comunidades, em todos os tempos e lugares. Deus seja louvado porque afinal ocasiões deste género em que pessoas da mesma família se reencontram são impares. A Irmã Renata Kotepa é natural da Ganda. Fez os primeiros votos aos 22 de Julho de 1997 no Ndunde e fez os perpétuos aos 19 de Setembro de 2004 na Se Catedral em Benguela. É a 2ª Superiora Regional, depois da Irmã Rita Wandi.
Pe.António dos Santos Tchindau, MS

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Irmãs de Nossa Senhora de La Salette em Festa

Aos 15 de Novembro de 2007, na Missão Católica de Santo da Catumbela, emitiu os Votos Perpétuos a Irmã Tecla Kwayela, nas mãos da Ir.Marie Victoire, Superiora Geral da referida Congregação. A Missa foi presidida por Sua Excelência Reverendíssima D.Óscar Braga, Bispo da Diocese de Benguela. O prelado louvou a coragem de entrega definitiva por parte da nossa querida irmã, já que neste mundo com tantas oportunidades que são oferecidas não tem sido fácil homens e mulheres se oferecerem ao serviço do Senhor de maneira definitiva, rematou. Foi um acto bem vivido, em que os fiéis aproveitaram este momento para dirigirem as suas súplicas e elevarem as suas almas ao Sempiterno. A celebração contou com a presença de muitos sacerdotes, religiosos e religiosas, entidades administrativas locais, muitos fiéis e não só (a salientar a presença da Ir.Victoire, Superiora Geral e da Ir.Maria da Glória Nangueve do Conselho geral e a trabalhar no Brasil). A irmã que professou definitivamente considerou este momento como uma dádiva de Deus. Deus é vida, é Tudo. A Ele cantarei eternamente o hino de louvor, disse.De salientar que a Irmã Tecla Kwayela emitiu os seus primeiros votos aos 22 de Julho de 1997 no Ndunde-Ganda, aquando do 25ºaniversário sacerdotal do Pe.Joaquim Hatewa (que , começou com as irmãs saletinas). Faz parte, portanto, do 1ºgrupo de irmãs, enquanto mensageiras. que emitiu os primeiros votos neste mesmo dia 22 de Julho. E se torna assim do terceiro grupo de irmãs que professaram perpétuamente nesta Congregação em Angola.

Pe.António dos Santos Tchindau, MS

ENTREVISTA COM O ARCEBISPO DE WINDOEK - NAMÍBIA

Em finais do mês de Julho e princípios de Agostos a Região de Angola teve uma visita impar. Trata-se de D. Liborius Ndumbukuti Nashenda, Arcebispo de Windoek. Nesta sua curta passagem por Angola, tendo participado da reunião da IMBISA não se esqueceu de visitar os Missionários Saletinos. Ficou alguns dias na Catumbela. O Angolasaletteinfo foi encontro e extraiu-lhe palavras. Numa conversa interessante, o prelado falou dos motivos da sua presença em Angola e sobretudo do motivo da sua visita aos Missionários saletinos. Na sua simplicidade mostra um certo entusiasmo sobretudo com a ligação com os missionários angolanos. Não vale a pena perder, leia e comente.

Por: P.João Baptista Somboti e P.António dos Santos Tchindau, MS.

Línguas usadas: Português e Ingles; Tradutor: Pe.Avelino Sangameya, MS

1-Angola saletteInfo: Senhor Arcebispo, quais os verdadeiros motivos da sua vinda a Angola?

Arceb.: Em primeiro lugar, eu vim à Conferência da IMBISA que teve lugar em Luanda. E basicamente, IMBISA quer dizer, uma plataforma através da qual os Bispos da África Austral vêm juntos para trocarem impressões sobre certos aspectos pastorais nesta Região da nossa África. Desta conferência participaram os Bispos de Angola, São Tomé, Namíbia, Zimbabwe, África do Sul, Lesotho, Moçambique, Botswana e Swazilândia. Em Segundo lugar, quando fiz o plano de vir `a Conferência também pensei em encontrar-me com o Conselho Regional dos Missionários de Nossa Senhora de La Salette, pois eles têm seus membros a trabalharem na minha Arquidiocese. Então, quis chegar até aqui para constatar in loco a situação dos Missionários, as Missões onde eles trabalham pastoralmente como Saletinos. Esta é a razão pela qual me desloquei `a Benguela e concretamente à vila da Catumbela.

2-ASI – O Sr. Arcebispo fez um périplo pelo interior do País, nomeadamente Kwanza Sul e Huambo. O que é que esses lugares representam para si, Sr. Arcebispo?

Arceb.: Em primeiro lugar, eu não queria chegar só a Luanda; queria ir até ao interior para ter um quadro global do que está acontecer em Angola neste preciso momento, pois Angola e Namíbia têm algo em comum: ambos experimentamos longos anos de Guerra. Mas agora, de um modo geral, alcançámos a paz. E eu queria ver, a grosso modo, qual é a situação real do povo, qual é o seu sentimento depois de se ter alcançado a paz em 2002. Esta foi a razão pela qual decide fazer este périplo, através da hospitalidade dos Missionários de La Salette, de modo muito especial, o Conselho Regional que colocou `a minha disposição uma viatura para o efeito. Neste passeio que acabas de mencionar, tive o privilégio de visitar dois ex-campos onde os Namibianos viveram exilados por mais de trinta anos antes da independência do nosso País. Estes dois elementos (os campos) jogaram um papel de relevo na minha vida como namibiano. E esses dois lugares situam-se um em Kwakra (perto do Sumbe) e o outro em Kalulu (perto do Dondo). Em Segundo lugar, visitando diversos lugares, sobretudo onde tivemos acomodação, pude ter uma ideia clara do trabalho missionário que a Igreja Católica está a desenvolver neste País. Pude constatar como os presbíteros, as religiosas e os leigos trabalham arduamente para reconstruírem as Missões e criarem condições dignas para uma evangelização adequada. Politicamente, constatei in loco o quanto o Governo está engajado nesse processo de reconstrução nacional, ensaiando e implementando diversos projectos a fim de reconstruir e/ou renovar as infra-estruturas destruídas pela Guerra. Economicamente, pude ver o povo a começar a trabalhar as suas hortas e nacas para produzir algo e ganhar a vida, e também fazer algum negócio a fim de tocar a vida para frente. Socialmente, pude sentir que o povo está feliz e confiante que a paz veio mesmo para ficar. O povo aposta na atitude de que “agora temos de viver mesmo em paz, num espírito da reconciliação e reconstrução”. Basicamente ‘e tudo o que eu tive a honra e o privilegio de observar, duma forma muito limitada.

3-ASI – Na vertente Eclesial, qual é a diferença que o Sr. Arcebispo faria entre Angola e Namíbia?

Arceb.: Em primeiro lugar, Namíbia tem poucos católicos enquanto Angola é um País Católico. Aqui eu vi que a Igreja esta bem viva e activa e trabalhando muito para a inculturação. Em Segundo lugar, a Igreja aqui esta bem avançada para a auto-sustentabilidade, enquanto na Namíbia ainda estamos um pouco atrasados neste processo de fazer entender que os fiéis não estão ali só para receber, mas sim para fazer acontecer, mantendo viva a própria Igreja. Vejo que aqui já se avançou muito. Em terceiro lugar, gostaria de sublinhar aqui as relações Igreja-Estado: o Estado tem muito respeito para com a Igreja. Valoriza muito a actuação da Igreja. Da para sentir que Angola é mesmo um pais Católico. Desta forma, acredito eu, a Igreja Católica devia explorar este elemento para poder fazer mais, sobretudo na consolidação da Democracia, dando conselhos adequados ao Governo. Em quarto lugar, gostaria que a Igreja Católica continuasse a jogar o seu papel profético, publicitando e trabalhando pela paz e justiça, a fim de que economicamente possa haver uma redistribuição equitativa dos recursos de que Angola dispõe. Por último, gostaria de sublinhar que em Angola existem muitas vocações sacerdotais e/ou religiosas que mostram que a Igreja aos poucos esta caminhando para uma Igreja verdadeiramente local, o que é muito bom.

4-ASI – Feita esta sua apreciação nas relações Igreja-Estado, surge uma inquietação: não acha que essas relações muito boas podem minar o verdadeiro papel profético que deve caracterizar a Igreja?

Arceb.: Sim, e como já frisei antes, é muito importante que no contexto dessas relações, a Igreja Católica ainda devia manter uma certa distância de liberdade para poder dizer, criticar e aconselhar devidamente o Governo como o País deve ser governado. As relações boas, não significam que a Igreja deve ficar satisfeita ou concordar com tudo, até engolir os podres do governo. Boas relações significam crítica construtiva de e para ambos os lados. Na Namíbia também aprendemos com a mesma experiência: as nossas relações com o Governo são boas e muito saudáveis. Entretanto ainda nos reservamos o direito `a uma certa distância que nos permite exprimir a nossa opinião sem receio, e desta forma mantermos a nossa ética nas actuações. Na Namíbia decidimos ter dois encontros por ano com o Presidente da República. E nesses encontros o Presidente pergunta-nos, como Igreja, qual é a leitura que fazemos sobre a gerência do Governo em relação à coisa pública, (em resumo, como o Governo esta a trabalhar). Nestes fóruns, temos criticado e ajudado muito o Governo. Da mesma forma o Governo também não nos tem poupado onde eventualmente estejamos a falhar. Vezes houveram em que o Presidente dizia: vocês falam, falam, e pouco estão a fazer neste ou naquele assunto. Acho que isto é muito saudável. Portanto, a crítica construtiva não significa luta, mas sim partilha, apelo e orientação. E é desta forma que Igreja e Estado devem trabalhar.

5-ASI – Sr Arcebispo, depois da Conferência da qual acaba de participar, e do périplo que acaba de fazer pelo interior do pais, quais seriam as suas expectativas e seus receios em relação aos Bispos de Angola?

Arceb.: É difícil responder à esta pergunta, pois eu não tive a oportunidade de visitar todas as Dioceses de Angola que são tantas! Todavia, partilhando um pouco daquilo que foram as nossas discussões durante a conferência, começaria por dizer que o nosso tema foi “Boa Governação para o Desenvolvimento”, tanto na Igreja quanto no Estado. Boa Governação não foi só para os Bispos de Angola, mas sim para todos os Bispos da IMBISA. E boa Governação significa como devemos governar ou gerir as nossas Dioceses e nossas Paróquias. Na conferência três elementos da boa governação mereceram destaque: Accountability (Idoneidade); Transparency (Transparência) e Responsibility (Responsabilidade/Honestidade). Existem muitos elementos referentes à boa governação, sem dúvidas; mas esses três acima aduzidos foram os que consideramos muito importantes, e, por conseguinte, mereceram muita reflexão da parte dos Bispos. Brevemente receberemos as resoluções tomadas, e essas resoluções serão enviadas para todos os Bispos, e veremos, dentro de três anos como cada Bispo está a implementá-las em sua Diocese.

6-ASI – Temos missionários Saletinos que há mais de cinco anos trabalham na sua Arquidiocese. Acredito que foram para lá ao seu convite. Gostaria de saber o que o levou justamente a convidar os Saletinos, quando existem também outros missionários?

Arceb.: É muito simples. Para uma Igreja particular (Diocese) enriquecer-se tem que ser muilti-carismática. Eu acreditei que fazendo convite aos Missionários de Nossa Senhora de La Salette, eles enriqueceriam a nossa Igreja local com o seu carisma. Eu ouvi e li bastante sobre o trabalho missionário que os Saletinos desenvolveram cá em Angola: como ergueram as Missões, como se dedicam à causa missionária e como prepararam o terreno para eventualmente os Diocesanos assumirem suas responsabilidades. Este é, na verdade, o trabalho dos missionários dentro do contexto do seu carisma da RECONCILIACAO e ESPECIAL DEVOÇÃO À VIRGEM MARIA, NOSSA MÃE. De facto, agora falando dos que trabalham na minha Arquidiocese de Windhoek, fiquei muito impressionado com o seu zelo apostólico, como trabalham, sua atenção ao povo de Deus, etc., ao ponto de suplicar junto do Conselho Regional para me mandar mais membros para uma Segunda Missão. Neste preciso momento os Missionários de La Salette estão a evangelizarem e a gerir duas Missões na minha Arquidiocese. E eis porque estou aqui na Catumbela, para manifestar pessoalmente a minha gratidão ao Conselho Regional e estreitar ainda mais as nossas relações e consolidar a nossa cooperação no trabalho da evangelização.

MUITO OBRIGADO!

Breve história da presença saletina em Angola

A presença saletina em Angola começou em 1946, quando se celebrava o centenário da aparição de Nossa Senhora em La Salette. À seguir à concordata celebrada entre a Santa Sé e o Governo Português aos 7 de Maio de 1940 e conforme o acordo e o estatuto Missionário, a diocese de Angola e Congo, as prefeituras do Baixo Congo e do Cubango, como também as missões independentes da Lunda e do Cunene, foram remodeladas em arquidiocese de Luanda e nas dioceses de Nova Lisboa e de Silva Porto (1941). Em 1955 a diocese de Nova Lisboa cedeu destritos da Huíla e de Moçamedes para a formação da diocese de Sá da Bandeira; em 1970. Aos 3 de Fevereiro de 1946 celebrou-se na Igreja de paroquial de Möschwil (Suiça) a missão canónica dos primeiros oito saletinos destinados às missões de Angola. Passando pelo Santuário de La Salette, onde acolhem a bênção de Nossa Senhora em lágrimas, chegam à Lisboa. Aí ficam três meses para a aprendizagem da Língua Portuguesa. Com outros missionários, sobretudo holandeses, viajam no barco KWANZA e este aporta-os à Luanda. De Luanda chegam à Diocese de Nova Lisboa. Foram-lhes entregue as Missões de Ganda (Benguela) e Tchilengue (Huila), até então servidas pelos missionários do Espírito Santo. O Caminho-de-ferro de Benguela levou os padres Emílio Truffer, Rafael Meichtry, Edward Jud, João Damann e Otmar Schweizer à Ganda, onde começaram a actividade missionaria, bem como o estudo da língua dos nativos, o umbundu. Ao mesmo tempo, passando pela mata, os padres Justo Villiger, João Meier e Roberto Harder chegaram à Missão do Lukondo (Tchilenge), situada ao pé do monte Tchivila, onde vivem os vahumbi. Mais tarde os novos missionários puderam, com método e planificação alargar a sua acção e criar novas missões: em Tchindjendje (1947), do Kola (1952), Hanha(1954), Kalukembe(1962), Malongo (1964), Cubal (1965), Catumbela (1971), o seminário Maior no Huambo (1978) e mais tarde o Seminário Médio em Benguela (1986).

sábado, 27 de outubro de 2007

A Congregação chora os seus filhos

Quando Deus chama…SIM A congregacao dos Misionarios de Nosa Senhora de La Salette em Angola e não só, disse Sim a Deus ao tomar conhecimento da morte do seu querido Confrade, Padre Erwin Truffer. Pe.Erwin Truffer nasceu aos 27 de Setembro de 1928 na Suíça, fez a 1ª profissão religiosa aos 19 de Setembro de 1947 e foi ordenado sacerdote na Congregacao dos Misionarios de Nossa Senhora de La Salette aos 22 de Março de 1953, na Suiça.
Continuemos a rezar pelo nosso querido Padre Erwin Truffer que faleceu aos 22 de Outubro de 2007 na Suiça, vítima de cancro malígno. Pe.Erwin trabalhou en Angola, onde chegou pela primeira em Maio de 1954, tendo sido colocado na Missão do KOla em 1954; em 1958 foi transferido para a Missao da Ganda. Tarabalhou também no Cubal e na Missao Catumbela. Foi enterrado ontem (sexta 26 Oct) na Suiça, numa altura em que tambem se rezou uma Missa em Memória da alma.
Paz à sua alma

sábado, 6 de outubro de 2007

No dia 14 de Setembro de 2007 , chegaram ao Centro Saletino de Formação e Espiritualide (CESAFE) os Grupos de Peregrinos da Fraternidade Saletina , de Benguela , Baía-Farta , Cabinda , Catumbela , Cubal , Kalukembe , Lobito , juntando-se também o grupo do Lubango , para as Festividades Saletinas no Lubango . Diga-se em abono da verdade , foi um momento especial para a Associação e para a Comunidade saletina do Lubango . Eram acima de cem Membros sob guia do seu Director Nacional , o Padre Júlio Kukondala ,ms. Acolhidos pela Comunidade do CESAFE , na pessoa do Senhor Padre Tarcísio Tchiheke , deram início às suas actividades no dia seguinte à sua chegada , dia 15 de Setembro . No fim da tarde realizou-se a Procissão de velas com o ponto de partida na Capela do Noviciado ,terminando no Santuário de Nossa Senhora de La Salette , presidida por Sua Excelência Reverendíssima D. Gabriel Mbilingi, Arcebispo Coadjutor do Lubango . Estiveram presentes , para além dos Membros do CESAFE , outros Membros da Região ,a destacar a presença dos Padres: Joaquim Hatewa , ( Fundador da Fraternidade saletina em Angola ), recém chegado da República da Namíbia , onde esteve em busca da saúde, Padre Jacinto Mbasivela ,da Comunidade de Kalukembe , Padre Paulo Tchipa , da Comunidade do Cubal e Membro da Direcção “Regional” da Fraternidade Saletina e o Padre Venâncio Kavaku , da Comunidade de Opuwo-Namíbia. Participaram muitos fiéis da Paróquia de S.João Baptista da Mapunda e não só . As celebrações atingiram o seu ponto mais alto com a celebração da Santa Eucaristia , presidida Por D. Gabriel Mbilingi , no Santuário de Nossa Senhora de La Salette , pelas 9h15mn . Concebraram Sacerdotes saletinos , presentes às festividades , o Frei Domingos ( Capuchinho ) e o Padre Francisco Chissuaca ( Reitor do Seminário Maior Padre Leonardo Sikufinde ). Nesse dia , juntaram-se às festividades , Irmãs vindas de algumas comunidades da cidade do Lubango. O período da tarde foi dedicado a um passeio ao monumento de Cristo Rei ao qual se seguiram as Vésperas solenes , presididas pelo Padre Júlio Kukondala , no Santuário . O padre Paulo Banga , delegado do Superior Regional , aproveitou dirigir algumas palavras ao grupo de Peregrinos e a todos os presentes , apelando para a grande responsabilidade que cada Peregrino tem em comunicar a experiência vivida neste lugar Santo da Mapunda . As actividades seguiram o seu curso, conforme o programa previamente estabelecido . Os Peregrinos deixaram a Mapunda na manhã do dia 17, de regresso à sua procedência . Agradecemos de coração a Deus que permitiu a realização do evento. Fazemos votos que a todos aproveite para o crescimento espiritual e que a Mãe de La Salette a todos proteja . Nossa Senhora de La Salette Reconciliadora dos Pecadores !Rogai sem cessar por nós que recorremos a Vós!
Padre Paulo Banga , ms

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A HISTÓRIA DE UMA VOCAÇÃO

A formação sacerdotal tem um caminho longo a percorrer. Muitos partem com muita força para uma meta e não alcançam tal meta e perdem-se no caminho. Os que chegarem à meta têm muitas experiências a contar. Altos e baixos contam, avanços e recuos contam, quedas e levantamentos contam…etc. E as experiências que são contadas pelos caminhantes são diversas e muitas delas, ou pelo menos uma, merecem uma especial atenção. O Angola SaletteInfo foi às encruzilhadas e colheu uma experiência vocacional muito rica de um Padre. Trata-se do Padre Eurico Piyali, Cerimoniário da Diocese de Benguela. Para Padre Piyali, Deus escreve direito em linhas tortas. Afirmou isto porque, de facto os caminhos que se usaram para ele chegar a Padre são realmente de admirar. Tudo começou assim: já cedo Eurico era um cristão activo na Paróquia de Sto.António – Benguela. Até, por sinal, trabalhou fortemente com o grupo juvenil daquela Paróquia. O Sonho de ser sacerdote surgiu-lhe através do gosto pela Bíblia que lia nos momentos livres e sobretudo nos momentos mais difíceis da sua vida. A ser assim, entrou no grupo vocacional depois ter terminado a 8ª classe e recusou o pedido que se lhe fez de fazer provas de Admissão ao Seminário. Concerteza, isto não agradou a irmã Rosário (Doroteia) que acompanhava os vocacionados. Por isso, afirma o Piyali, foi-lhe dado um mandato de captura e este falhou. Isto provocou no Piyali uma ruptura e o sonho de ser padre se esmagou e todas as esperanças se foram. Já não mais queria ser Padre. Nasce-lhe um novo sonho. Desta vez Piyali queria ser médico, o que implicava estudar medicina. Tentou ingressar duas vezes no IMS e tudo caiu em saco roto. Pensou em fazer matrículas no IMNE, mas não arriscou porque ser professor, para ele, era tudo à esquerda. Assim, ficou dois anos sem estudar. Para compensar esta vacância, optou por fazer negócios, viajando de “catroncas” do Lobito para o Sumbe. Neste entretanto, o sonho de ser presbítero renasce com novo vigor. Tudo foi graças a leitura orante da Bíblia, de que era amigo. Nesta leitura bíblica o que mais o marcou foi o relato da Paixão. De saber que há alguém que morreu pelos nossos pecados, isto foi para Piyali muito comovente. Mas o regresso ao grupo vocacional foi-lhe pesado tendo em conta a maneira como deixou este grupo. Agora a vida de negócios já era. Decidiu optar pela intelectualidade, fazendo o curso de Informática. Ai no curso se encontrou com alguns colegas que, por sinal eram os Padres José Inácio Hilieke, José Francisco e Gabriel Mussungu. Segundo Piyali, estes Padres assumiram um papel preponderante no que tange à sua vocação. No fim do curso de informática, Piyali e os Padres foram considerados os melhores alunos. Por isso, Padre José Inácio Hilieke prometeu emprego ao Piyali. O Pai que se encontrava gravemente doente há 4 anos constituía assim a maior dificuldade do momento. Pe.Inácio, que prometera emprego a Piyali veio a cumprir. Tudo calhou num momento em que o Bispo quis dar uma nova meta ao Seminário Maior do Bom Pastor. Um recepcionista e um guarda eram necessários neste projecto do Bispo. Piyali, por influência do Pe.Inácio, foi aceite pelo Bispo como novo funcionário do Seminário ocupando a pasta de recepcionista. Em Julho de 1995 Piyali tomava a posse como recepcionista. O trabalho de recepcionista, como se sabe, é aquele de acolher visitas. É o que Piyali fazia. Ficava todos os dias na casota que se localiza naquele portão que dá acesso à praça da Caponte, passando pela cerâmica. Era portador de um rádio Motorola, com o código “cambio”, que usava para se comunicar com o Padre Estêvão Binga e com a Irmã Manuela. Quando chegassem as visitas Piyali comunicava à Direcção e esta comunicava aos respectivos seminaristas que atendiam as suas visitas na casota do Piyali. Foi nesta altura, trabalhando como recepcionista, que Piyali se lembrou do seu sonho de ser Padre. A sua vocação foi realimentada pelo Padre José Dias Tumoma, que era seminarista de Filosofia, no seu último ano. Voltou outra vez ao grupo vocacional. Em Setembro de 1996 entrou no Seminário Propedêutico e deixou este trabalho de recepcionista. Ainda quase que deixava o seminário em segredo, por se ter sentido desmotivado. Mas graças ao Sempiterno, isto não aconteceu. Continuou para nunca mais sair. Eurico Piyali Pinto nasceu ao 27 de Março de 1976, na Kahala – Huambo; foi Baptizado aos 11 de Dezembro de 1977 na Missão de Quipeio; recebeu 1ª Comunhão em 1991 e a confirmação em 1992. Em Setembro de 1995 entrou no Seminário. Fez o Propedêutico de 1996-1998; Filosofia de 1998-2001; Teologia de 2001-2 005. Em 2002 foi nomeado Cerimoniário da Diocese. No dia 7 de Agosto de 2005 foi ordenado Diácono na Paroquia do Cubal e aos 30 de Julho foi ordenado Presbítero Curiosamente, Piyali, fez o estagio diaconal, no Seminário de Filosofia, lá onde foi recepcionista. E depois da ordenação presbiteral foi nomeado membro de direcção do mesmo seminário. Deus escreve direito em linhas tortas. Pe.António Tchindau, MS

MISSÃO DO NDUNDE - GANDA JÁ TEM 80 ANOS

os Missionários da Congregação do Espírito Santo, já residentes em Angola fizeram um pedido ao governo português de fundar uma missão nas terras da Ganda. O pedido foi aceite. Assim, aos 26 de Julho de 1927, foi fundada a missão numa parcela de 500 hectares. O seu primeiro missionário chamou-se Figueiredo. O primeiro a ser baptizado na Missão chama-se João, nasccido aos 21 dias do mês de Agosto de 1927, filho de João e Cipriana. Desta Missão foram solicitados muitos catequistas para ajudarem na evangelização na área da Missão do Bailundo e outros pontos onde a fé já era notória. Até 1932 os baptizados eram contados cerca de 4 mil. Neste mesmo ano instalaram no Ndunde um seminário que, mais tarde, foi transferido para o Quipeio.Em 1946, com a chegada dos Missionários Saletinos, a Missão passou completamente a ser orientada por eles. Dos oito padres saletinos, que pisaram o solo angolano em 1946, ficaram 5 na Ganda: PP.Emílio Truffer, Rafael Meichtry, Otmar Schweizer, Eduard Jud e João Damann. Em 1947, desta Missão desmembra-se a Missão de Tchindjendje. Os padres dedicaram-se, com zelo apostólico, à evangelização e à formação. Mas faltavam irmãs para formarem as raparigas e tratarem dos doentes. Assim, em 1950 aparecem as primeiras irmãs: eram do Santíssimo Salvador. A missão feminina começa também com a creche e a escola doméstica. Uma obra muito grande realizada pelos padres Saletinos foi a construção da escola de evangelistas, fundada em 1962 (fica para reter que Ndunde foi a primeira Missão a albergar a escola de evangelistas ). O padre José von Rickenbach foi encarregado da formação de evangelistas; uma obra que fez escola em Angola, cuja influência espiritual e missionária é incalculável. A Missão já deu muito fruto à Igreja e à sociedade civil. Figuras como Dom Francisco Viti, Padre Eduardo Alexandre (Vigário da Diocese), Padre Miguel Pequenino (secretário do prelado ) e tantas outras personalidades. A Missão tinha uma grande tipografia, onde foram impressos os primeiros livros em umbundu. Ganda era a Missão principal dos padres de La Salette em Angola: sede do distrito, depois da vice-província e região. É lá onde se fazia o retiro anual de todos os membros (hoje é feito no CESAFE- Lubango) e tiveram lugar as reuniões importantes para resolver os problemas das missões. Em 1980, a Missão ficou abandonada por causa da guerra fratricida que Angola conheceu e o pessoal missionário teve que mudar para a cidade da Ganda (Lomba). Em 1992, o pessoal missionário volta para a sede da Missão onde permaneceu até 18 de Julho de 2000, dia em que foram raptados os missionários ai residentes (Pe.Hatewa e Pe.Tchingandu que esteve em visita canónica, e irmãs Saletinas). Neste mesmo ano, por causa ainda de muitos ataques e saques, a Missão ficou, de novo, abandonada e a sua reabertura veio a realizar no dia 30 de Agosto de 2003 com a celebração dos 75 anos da fundação da Missão, com uma Missa presidida por Dom Óscar Braga. Graças a Deus. Durante a Missa dos 80 anos o Pe.Adriano Ngungu salientou a figura de Maria como Mãe que cuida sempre dos filhos. O sacerdote deu um relance histórico da aparição de Maria em Fátima, relançando todo o contexto desta aparição, as exigências da mensagem e não só. Lembramos que a Missão do Ndunde tem como P
adroeiro Nossa Senhora de Fátima. Alias, é primeira Igreja das dedicadas à Nossa Senhora de Fátima aqui em África. Pe.Adriano destacou também a necessidade imperiosa que todos os angolanos têm de sustentar a PAZ que estão a viver. E, para secundar a sua convicção, disse: «que seria do agricultor que deitasse uma semente à terra e não a cuidasse? A semente acabaria por morrer, não daria nada, não haveria colheita»! Para tal é preciso dar todo o empenho, rezando o terço todos os dias. A Missa foi animada com todos as cores, com pompa e circunstância próprias duma celebração de 80 anos de existência. Parabéns, Missão do Ndunde! Pe.António dos Santos Tchindau, MS
La Salette Palavras, Sinais, gestos, atitudes...Uma leitura espiritual "Aproximai-vos meus filhos, não tenhais medo" - um convite à Ressurreição Sempre que se fala da Aparição de Maria em La Salette e da sua Mensagem, é tendência comum de quem já ouviu falar dela pensar naquela imagem em que Nossa Senhora aparece com o rosto entre as mãos, a chorar, como se a mensagem fosse de lágrimas, a anunciar o sofrimento, a dor, o luto e até a morte. De facto, o "fardo" que Maria suporta por nós não consiste senão na decadência espiritual, moral e religiosa da humanidade, simbolizada pelas crianças adormecidas, fechadas, resistentes, num primeiro momento, à graça do alto( vejamos a atitude defensiva de Maximino ante a assustadora "realidade": " Vá! Guarda a tua vara; eu guardo a minha e dou-lhe com ela se nos importunar..." ). À tal realidade não pode estar indiferente uma Mãe que ama verdadeira e ternamente os seus filhos, encafuados nas mais variadas amarguras quer físicas quer, e sobretudo, espirituais, criando nEla uma comoção tal que a olho nu dos videntes se transforma em "rio" de lágrimas. Com elas ( as lágrimas) Maria quer insinuar o sentimento ou a atitude que toda a criatura humana "pecadora" devia tomar dada a sua recusa propositada e obstinada do milagre da cura espiritual operada e oferecida gratuitamente pelo Redentor sobre a árvore da cruz. Mas a Mensagem de Maria em La Salette, como o próprio Evangelho de Cristo, é sobretudo uma Mensagem de esperança; é uma janela aberta à única possibilidade de a humanidade encontrar novamente alívio e harmonia cósmica: voltar-se para Jesus Cristo e Cristo Ressuscitado, o único capaz de afugentar em nós os vampiros que nos empurram para o medo de nos aproximarmos do divino, das realidades celestes e do Reino, dando-nos a Sua Paz no Espírito Santo(Cf. Lc. 24, 36; Jo. 20, 19. 21-22. 26b) e que nos abre os olhos da fé à contemplação "confiante" do Seu rosto glorioso, a ponto de reconhecermos, como Tomé, a sua divindade e o seu Senhorio(Cf. Jo. 20, 28). O "aproximai-vos meus filhos, não tenhais medo" de Nossa Senhora é um convite a deixarmos vazio o leito e o túmulo do nosso passado a que comodamente nos autocondenamos muitas vezes( medos, temores humanos, ciúmes, rancores, vinganças, desonestidade, individualismo, distrações, negativismos, ressentimentos, fofocas demolidoras, promoção de mentiras, desconfianças...) e ressuscitar, com Cristo, para uma vida digna de filhos de Deus convocados e consagrados a tornar real e visível a "caritas Dei" num mundo que teme o bem e olha com desdém os protagonistas da solidariedade, da amizade, da empatia ética, da ajuda, da alegria... Salientemos que o diálogo com os videntes só aconteceu depois que estes se levantaram e se aproximaram de Maria que, nessa altura, também se põe em pé. Só rompendo as barreiras do nosso egoísmo que nos separam uns dos outros e aspirando a uma visão mais positiva do outro e dos sinais dos tempos, na tentativa constante de procurar conformar-se à imagem de quem nasceu do Espírito, será possível um diálogo franco e uma reconciliação sem "caricaturas". Precisamos de nos levantar do sono da morte que nos inferniza, de sair das ligaduras que nos fecham ao Espírito e que tornam imberbe o nosso modo de pensar e de agir ante as encruzilhadas da história e aspirar às coisas do alto( Cf. Col. 3, 1). Configurar-se com Cristo e ser com Ele glorificado participando místicamente do mistério da Sua Morte e Ressurreição, o que exige ruptura com o ver, o julgar e o agir pura e simplesmente de acordo com o homem carnal(Cf. Rm. 6, 4-11.13.19), eis a vocação mais sublime do homem.
Pe. Celestino MUHATILI, MS

Mais obreiros para a messe do Senhor...Lermais..

Aos 26 de Agosto de 2007 na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, D.Óscar Braga da Catumbela ordenou mais 7 novos obreiros sacerdotes para a grande messe do Senhor. Dos 7 obreiros 6 são saletinos e um redentorista. Tratam-se de Belarmino Tchipundukwa, Joaquim Dongo Manuel, Jacinto Vikasi Kanganjo, João Kakweya, Fernando Miguel Kandjimbu, Tito Silvestre Kaluvi Alberto (Saletinos) e Mário Palanca (Redentorista). A Missa contou também com a presença do Provincial dos redentoritas, Pe.Joao Pedro e do Padre Venâncio Nunda Regional dos Saletinos, de muitos presbiteros, religiosos e religiosos para de outros convidados destacando a presença de entidade politco-administrativas locais. Foi uma grande festa animada liturgicamente pelo grupo da Fraternidade Saletina com cânticos angélicos que proporcionaram um momento impar de oração elevando as almas de todos os fiéis ainda presentes ao Sempiterno. O Padre Eduardo Alexandre, Vigário Geral da Diocese, chamado a fazer a homilia, destacou o valor intrínseco e extrínseco do Sacerdócio, baseando no Decreto " Presbiterorum Ordinis". O pregador não se esqueceu de esclarecer ao povo a importância que o sacerdote representa no seu seio, tendo em conta algumas situacoes já candentes. È necessário que o povo respeite os sacerdotes, não interessa a idade que eles tenham, mas sim são pessoas consagradas ao Senhor. São um “alter Christi”. O sacerdote não um empresário ou um director de qualquer empresa a quem podemos pedir tudo quanto quisermos, mas ele um dispensador de graças, o que ele pode dar a mais, rematou. Para os neo-sacerdotes isto é uma dadiva que vem de Deus. Quem sou eu para merecer esta tamanha graça!, exclamou um dos ordenados. Os novos obreiros vão continuar nos lugares onde fizeram o seu diaconado. Os Missionários saletinos contam com 57 Padres e trabalham nas dioceses de Benguela, Lubango, Huambo e Malange para alem da arquidiocese de Windhoek – Namíbia Por: Pe.António dos Santos Tchindau, MS